terça-feira, 26 de agosto de 2008

Madrigal Melancólico

O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza é em nós que existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e incerteza

O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência,
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil e tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio momento,
Graça que perturba e que satisfaz.

O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E nem meu pai.

O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que adoro em ti lastima-me e consola-me:
O que eu adoro em ti, é a vida!

Manuel Bandeira

segunda-feira, 18 de agosto de 2008


"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade".
Confúcio

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pedras no Caminho


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
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Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
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Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
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Pedras no caminho?
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Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
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Fernando Pessoa

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Tempo Determinado

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu:
há tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de derribar e tempo de edificar;
tempo de chorar e tempo de rir;
tempo de prantear e tempo de saltar de alegria;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras;
tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
tempo de buscar e tempo de perder;
tempo de guardar e tempo de deitar fora;
tempo de rasgar e tempo de coser;
tempo de estar calado e tempo de falar;
tempo de amar e tempo de aborrecer;
tempo de guerra e tempo de paz.

Eclesiastes 3: 1-8

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Lição de amor




Mãe é aquela que cria!!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Você e o seu retrato


Por que tenho saudade
de você, no retrato,
ainda que o mais recente?
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E por que um simples retrato,
mais que você, me comove,
se você mesma está presente?
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Talvez porque o retrato
já sem o enfeite das palavras,
tenha um ar de lembrança.
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Talvez porque o retrato
(exato, embora malicioso)
revele algo de criança
(como, no fundo da água,
um coral em repouso)
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Talvez pela idéia de ausência
que o seu retrato faz surgir
colocado entre nós-dois
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(como um ramo de hortênsia)
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Talvez porque o seu retrato,
embora eu me torne oblíquo,
me olha, sempre, de frente
.
(amorosamente)
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Talvez porque o seu retrato
mais se parece com você
do que você mesma (ingrato).
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Talvez porque, no retrato
você está imóvel,
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(sem respiração...)
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Talvez porque todo retrato
é uma retratação.
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Cassiano Ricardo