sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

E tudo mudou

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone
A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
'Problemas de moça' viraram TPM
Confete virou MM
A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal
E ninguém mais vê...
Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do 'não' não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O Fortificante não é mais Biotônico
Folhetins são novelas de TV
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita ?
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...
A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...
De tudo. I
nclusive de notar essas diferenças.
.
Luis Fernando Veríssimo

quinta-feira, 20 de novembro de 2008


Só ilumina quem é iluminado. Somente pode doar quem possui em si a vivência do bem. Só guia os outros quem se sente guiado por Deus. Todas as seitas e religiões mostram o caminho, mas somos nós que devemos percorrer passo a passo nossa jornada. E quem não caminha pára e não progride, porque ninguém pode ser bom em nosso lugar nem ser nosso procurador perante Deus.
.
Antonio Carlos - Livro O Jardim das Rosas

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Não era medo

Vivíamos só nós três
na casa grande da Rua Nina.
Minha mãe, Totó e eu.
À noite havia estalidos
por todos os cantos da casa.
Eram os fantasmas
do meu pai, do me avô
e também da avó Paulina
que caminhavam pelos corredores.
Eram almas amigas, dizia comigo,
e abraçava Totó entre as cobertas.

Medo? Eu não tinha medo, não.
Era por causa do Totó,
que não era conhecido deles.

Hélio Ricciardi

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Senhora

Como me assusta, senhora,
tanta demora
no pousar-me os olhos verdes,
prisão de quatro paredes,
cadeia de fina rede
que me prende, como agora.

Olhar tão calmo, senhora,
cala fundo, desagrava,
inunda, não sendo água,
não sendo fogo, devora.

Prisioneiro de repente
eu, que pensava ir embora.
Meu corpo sofre, doente,
mas meus olhos ficam quentes
tocando nos seus, senhora.

Meus silêncios são de rogo,
Meus desejos, malviventes.
Seus olhos seguem no jogo
de queimar, não sendo fogo,
e inundar, sem ser torrente.

Não se supreenda, senhora,
de ver-me assim tão carente,
tanta insônia, de repente,
nos olhos de quem não chora.

Sonharei seus olhos verdes
cada dia, cada hora,
que a solidão apavora
quem carrega tanta sede.

Antônio Augusto B. Ferreira.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Correndo atrás das borboletas



Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar não precisar dela.
.
Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que te ama)e que não quer nada com você, definitivamente não é a pessoa da tua vida.
.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem tb gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...
É cuidar do jardim para que elas venham até você.
.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
.
.
Mario Quintana

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Cativeiros

Ouvi um pássaro cantar no cativeiro
Nesse instante não contive a emoção
Em saber que a beleza de seu canto
Condenou-o a viver numa prisão

Se por cantares hoje vives prisioneiro
Somos iguais neste ofício de cantor
Pra dar ao mundo mais poesia e ternura
Em liberdade cantar a vida e o amor

Não tem preço a liberdade não tem dono
Só quem é livre e sente o prazer de cantar
Se um passarinho canta mais quando está preso
É num desejo de um espaço pra cantar

Quantos homens nas gaiolas desta vida
Aprisionados pela empáfia do poder
São como pássaros cativos da injustiça
Morrendo aos poucos na prisão do mal viver

Quero ver pássaros e homens livremente
Romper na vida toda forma de prisão
Que só o amor e liberdade nos cativem
Aprisionando-se em cada coração

Antonio Gringo

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Não me deixes!

Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava:
"Ai, não me deixes, não!"

Comigo fica ou leva-me contigo
"Dos mares à amplidão;"
Límpido ou turvo, te amarei constante;
"Mas não me deixes, não!"

E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
"Ai, não me deixes, não!"

E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
"Ai, não me deixes, não!"

Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.

A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
"Não me deixaste, não!"

Gonçalves Dias

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Te Quiero

No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor,
a sangre y fuego.

Pablo Neruda

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Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.


Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te, como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,


nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Epitáfio


Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
.
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...
.
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
.
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
.
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...
.
.
Sérgio Britto - Titãs

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Muere lentamente



Muere lentamente
Quien no viaja,
Quien no lee,
Quien no escucha musica,
Quien no halla encanto en sí mismo.

Muere lentamente
Quien destruye su amor propio;
Quien no se deja ayudar.

Muere lentamente,
Quien se transforma en esclavo del hábito
Repetindo todo los días los mismos senderos,
Quien no cambia de rutina,
No se arriesga a vestir un nuevo color
O no conversa con quien desconoce.

Muere lentamente,
Quien evita una pasión y su remolino de emociones;
Aquellas que rescatam el brillo de los ojos
Y los corazones decaídos.

Muere lentamente,
Quien no cambia la vida
Cuando está insatisfecho con su trabajo,
O con su amor,
Quien no arriesga lo seguro por lo incierto,
Para ir tras de un sueño,
Quien no se permite, por lo menos una vez en la vida,
Huir de los consejos sensatos...

Vive hoy!
Arriesga hoy!
Haz Hoy!
No te dejes morir lentamente!
No te olvides de ser feliz!


terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tocando em frente


Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei
.
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou
.
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder seguir,
É preciso a chuva para florir
.
Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
.
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder seguir,
É preciso a chuva para florir
.
Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
.
.
Almir Sater

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Semana Farroupilha

O Rio Grande do Sul é como aquele filho que sai muito diferente do resto da família. A gente gosta, mas estranha. O Rio Grande do Sul entrou tarde no mapa do Brasil . Até o começo do século XIX, espanhóis e portugueses ainda se esfolavam para saber quem era o dono da terra gaúcha. Talvez por ter chegado depois, o Estado ficou com um jeito diferente de ser.
Começa que diverge no clima: um Brasil onde faz frio e venta, com pinheiros em vez de coqueiros, é tão fora do padrão quanto um Canadá que fosse à praia. Depois, tem a mania de tocar sanfona, que lá no RS chamam de gaita, e de tomar mate em vez de café. Mas o mais original de tudo é a personalidade forte do gaúcho. A gente rigorosa do sul não sabe nada do riso fácil e da fala mansa dos brasileiros do litoral, como cariocas e baianos. Em lugar do calorzinho da praia, o gaúcho tem o vazio e o silêncio do pampa, que precisou ser conquistado a unha dos espanhóis.
Há quem interprete que foi o desamparo diante desses abismos horizontais de espaço que gerou, como reação, o famoso temperamento belicoso dos sulinos. É uma teoria - mas conta com o precioso aval de um certo Analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Veríssimo que recebia seus pacientes de bombacha e esporas, berrando: "Mas que frescura é essa de neurose, tchê?" Todo gaúcho ama sua terra acima de tudo e está sempre a postos para defendê-la. Mesmo que tenha de pagar o preço em sangue e luta. Gaúcho que se preze já nasce montado no bagual (cavalo bravo).
E, antes de trocar os dentes de leite, já é especialista em dar tiros de laço. Ou seja, saber laçar novilhos à moda gaúcha, que é diferente da moda americana, porque laço é de couro trançado em vez de corda, e o tamanho da laçada, ou armada, é bem maior, com oito metros de diâmetro, em vez de dois ou três. Mas por baixo do poncho bate um coração capaz de se emocionar até as lágrimas em uma reunião de um Centro de Tradições Gaúchas, o CTG, criados para preservar os usos e costumes locais. Neles, os durões se derretem: cantam, dançam e até declamam versinhos em honra da garrucha, da erva-mate e outros gauchismos.
Um dos poemas prediletos é "Chimarrão", do tradicionalista Glauco Saraiva, que tem estrofes como: "E a cuia, seio moreno/que passa de mão em mão/traduz no meu chimarrão/a velha hospitalidade da gente do meu rincão." (bem, tirando o machismo do seio moreno, passando de mão em mão, até que é bonito).
Esse regionalismo exacerbado costuma criar problemas de imagem para os gaúchos, sempre acusados de se sentir superiores ao resto do País. Não é verdade - mas poderia ser, a julgar por alguns dados e estatísticas.
O Rio Grande do Sul é possuidor do melhor índice de desenvolvimento humano do Brasil, de acordo com a ONU, do menor índice de analfabetismo do País, segundo o IBGE e o da população mais longeva da América Latina, (tendo Veranópolis a terceira cidade do mundo em longevidade), segundo a Organização Mundial da Saúde. E ainda tem as mulheres mais bonitas do País, segundo a Agência Ford Models. (eu já sabia!!!)
Além do gaúcho, chamado de machista", qual outro povo que valoriza a mulher a ponto de chamá-la de prenda (que quer dizer algo de muito valor)?
Macanudo, tchê. Ou, como se diz em outra praças: "legal às pampas", uma expressão que, por sinal, veio de lá. Aos meus amigos gaúchos, um forte abraço!
Arnaldo Jabor

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


"Se há luz na alma, haverá beleza na pessoa.
Se há beleza na pessoa, haverá harmonia na casa.
Se há harmonia na casa, haverá ordem na Nação.
Se há ordem na Nação, haverá paz no mundo"
Provérbio Chinês

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Madrigal Melancólico

O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza é em nós que existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e incerteza

O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência,
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil e tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio momento,
Graça que perturba e que satisfaz.

O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E nem meu pai.

O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que adoro em ti lastima-me e consola-me:
O que eu adoro em ti, é a vida!

Manuel Bandeira

segunda-feira, 18 de agosto de 2008


"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade".
Confúcio

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pedras no Caminho


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
.
Pedras no caminho?
.
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
.
.
Fernando Pessoa

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Tempo Determinado

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu:
há tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de derribar e tempo de edificar;
tempo de chorar e tempo de rir;
tempo de prantear e tempo de saltar de alegria;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras;
tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
tempo de buscar e tempo de perder;
tempo de guardar e tempo de deitar fora;
tempo de rasgar e tempo de coser;
tempo de estar calado e tempo de falar;
tempo de amar e tempo de aborrecer;
tempo de guerra e tempo de paz.

Eclesiastes 3: 1-8

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Lição de amor




Mãe é aquela que cria!!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Você e o seu retrato


Por que tenho saudade
de você, no retrato,
ainda que o mais recente?
.
E por que um simples retrato,
mais que você, me comove,
se você mesma está presente?
.
Talvez porque o retrato
já sem o enfeite das palavras,
tenha um ar de lembrança.
.
Talvez porque o retrato
(exato, embora malicioso)
revele algo de criança
(como, no fundo da água,
um coral em repouso)
.
Talvez pela idéia de ausência
que o seu retrato faz surgir
colocado entre nós-dois
.
(como um ramo de hortênsia)
.
Talvez porque o seu retrato,
embora eu me torne oblíquo,
me olha, sempre, de frente
.
(amorosamente)
.
Talvez porque o seu retrato
mais se parece com você
do que você mesma (ingrato).
.
Talvez porque, no retrato
você está imóvel,
.
(sem respiração...)
.
Talvez porque todo retrato
é uma retratação.
.
.
Cassiano Ricardo

segunda-feira, 28 de julho de 2008

quinta-feira, 24 de julho de 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Não te amo

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n 'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Almeida Garrett