quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Senhora

Como me assusta, senhora,
tanta demora
no pousar-me os olhos verdes,
prisão de quatro paredes,
cadeia de fina rede
que me prende, como agora.

Olhar tão calmo, senhora,
cala fundo, desagrava,
inunda, não sendo água,
não sendo fogo, devora.

Prisioneiro de repente
eu, que pensava ir embora.
Meu corpo sofre, doente,
mas meus olhos ficam quentes
tocando nos seus, senhora.

Meus silêncios são de rogo,
Meus desejos, malviventes.
Seus olhos seguem no jogo
de queimar, não sendo fogo,
e inundar, sem ser torrente.

Não se supreenda, senhora,
de ver-me assim tão carente,
tanta insônia, de repente,
nos olhos de quem não chora.

Sonharei seus olhos verdes
cada dia, cada hora,
que a solidão apavora
quem carrega tanta sede.

Antônio Augusto B. Ferreira.

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